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REVISTA PROJETO - CAFÉ DE LA MUSIQUE

Moda e arquitetura em espaço para longa permanência

"O Café de la Musique é um restaurante para se passar a noite", define o arquiteto Fernando Vidal, do escritório Rocco Associados. O conceito de longa permanência originou a setorização, em que lounges modulares se integram às áreas de refeições. A linguagem cenográfica decorre, em boa parte, de materiais, iluminação e variantes ligadas à moda: a cada estação, estilistas nacionais reformularão a ambiência dos interiores.

Foi a idéia da inserção de caixas de contêineres, que inspirou o partido arquitetônico. Faixas transversais, individualizadas por proporções espaciais, tipo de
iluminação e layout, definem três regiões sucessivas. Isso faz com que o grande salão central, onde bar, mesas, sofás e pufes desenhados pela equipe de Rocco Associados, seja delimitado pelos ambientes laterais de estar.

O restaurante ocupa parcialmente o pavimento térreo de edifício comercial localizado na avenida Juscelino Kubitschek (leia PROJETODESIGN 283, setembro de
2003), em São Paulo, no qual a laje retangular, elevada cerca de um metro em relação ao passeio público, originalmente abrigava um centro de convenções. Boa parte da fachada lateral foi modificada para a inserção do novo programa, sobretudo em função do conceito de introdução de volumes autônomos.

Assim, um bloco saliente, com grande painel horizontalde vidro emoldurado por uma espécie de pórtico elevado, configura a entrada do restaurante. "Em vez de  pequenaporta, o Café de la Musique é identificado pela extensa Pórtico elevado, com extenso painel de vidro, na entrada. Assim como nos interiores, a iluminação da fachada pode ser modificada pela substituição de películas coloridas que revestem as luminárias O lounge de entrada tem planta retangular, determinada pela interferência dos pilares do edifício, revestidos com painéis de espelho para evitar a segmentação visual vitrine com dez metros de comprimento", explica Vidal.

Esse pórtico se estende aos interiores, configurando o lounge atualmente ambientado por Ricardo Almeida. Embora secionado por pilares retangulares, que assinalam o alinhamento original do edifício, esse setor se caracteriza pela continuidade espacial, tanto em função dos espelhos que revestem a estrutura quanto do desenho versátil do mobiliário e do pé-direito rebaixado. Destacam-se as almofadas concebidas pelo estilista, revestidas por capas feitas com tiras de gravatas.

Na extremidade oposta, outro pórtico demarca as áreas de preparação de sushi, no térreo, e do estar no mezanino, este com ambientação assinada por Fause
Haten. O revestimento preto dos sofás e os detalhes decorativos da iluminação diferenciam esse espaço, caracterizado por linguagem sóbria. Ele pode ser isolado visualmente por longas cortinas de voile, localizadas junto aos guarda-corpos periféricos. Detalhe do revestimento do balcão do bar, constituído por tubos plásticos sinuosos e iluminados por luz difusa colorid.

Já o salão central constitui o ponto focal dos interiores. Trata-se de espaço retangular, com cerca de dez metros de pé-direito, delimitado transversalmente pelas áreas de estar e, na outra direção, pelo bar e pela fachada posterior da edificação. O ambiente alterna lounges, mesas circulares e retangulares de madeira teca, desenhadas pelo escritório.

Materiais simples e soluções criativas qualificam o espaço, sobretudo em virtude da linguagem despojada, acabamentos texturizados e semelhança cromática.
Assim, a arquitetura constitui, nesse ambiente, pano de fundo para a visualização e integração das peças de mobiliário e das padronagens criadas pelo estilista Amir Slama. "O projeto coordena de forma harmônica as inserções da moda, design e arquitetura", aponta Vidal.

O bar ocupa uma das laterais do ambiente e, visível desde a entrada, destaca-se pelo revestimento frontal com tubos plásticos sinuosos. Retroiluminado por lâmpadas fluorescentes, o material foi utilizado também nos fechamentos do balcão de sushi e das pias dos banheiros, constituindo um dos elementos de identidade dos interiores.

Além dos padrões visuais e dos detalhes decorativos do mobiliário, a iluminação tem caráter versátil. Tanto os trilhos cênicos do salão central quanto as luminárias dos balcões podem ter alterada a cor da luz, modificando a linguagem dos interiores.

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